Passarinha de Realejo

Texto de artista não por pretensão, mas por precisão. Precisão de ser o que é, de ser artista e fazer isso 24 horas por dia, pois não conseguimos olhar para uma lua muito cheia e não imaginar que é uma pintura. Texto de artista porque a gente se expressa pelos poros e escreve para que alguém leia mesmo sem querer mostrar. Até que um dia mostra, para a vida passar do ordinário para o extraordinário. Foi o que eu fiz!

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Alguém que fala demais, escreve demais e chora demais.

domingo, setembro 09, 2007

Eu sei

Me afastei, eu sei.
Uma vida inteira aconteceu nesse ano. Será que ainda escrevo? Pensando bem, escrevo sim. Minhas vogais são outras, mas escrevo. Ontem a garganta apertou pois incrivelmente a lágrima não saiu. E eu que choro tanto!
Sem saber onde eu estaria no dia seguinte, fui dormir. Eu sei que não deveria me surpreender com os rumos mas é que passou muito rápido. Eu juro que ontem morava numa casa linda e grande com minhas três irmãs e agora, de repente, tô crescida, num ônibus, na estrada. Chegarei, talvez, à tempo para novamente subir num palco e fazer as pessoas rirem. E isso é só...
Isso é lindo e é pra sempre. Mas eu sou adulta agora e meu choro já não é manha. É desespero silencioso. Onde estão meus rumos que eu não vejo? Nesse momento só tem uma estrada escura na minha frente que muda de lugar. Queria sair desse executivo e gritar muito. Saltar pela janela e ir correndo até o teatro, mas é longe...
Enquanto as horas passam, eu ouço música. Então falo com os ouvidos.
Passou...

Acho que já disse tudo isso antes, em algum momento