A nobre arte de encontrar fendas no espaço e passar rapidamente por elas antes que se fechem
Foi como um rasgo no tempo e no espaço, daqueles que só abrem de 100 em 100 anos, de 200 em 200 ou 300 em 300 anos. Um portal que se atravessa muito rápido, sem pensar e sem carregar nada, só desejando encontrar algo que está do outro lado.
Era preciso não olhar para trás. Sair correndo, não pensar e atravessar. Na correria para conhecer o outro lado do portal, uns esquecem os nomes e a razão e por isso ganham apelidos. O coração, desparado, chega na frente e é com ele que se conta durante as 16 horas que passamos vivendo uma vida que não é nossa, que não se tem todo dia e que a cada minuto esperava-se que durasse uma hora, para nunca esquecermos que a vida do outro lado do portal era diferente: os segundos duravam minutos e os minutos, horas.
Lá, quanto mais o tempo passava, mais de nós ia ficando e, ao mesmo tempo, mais de nós voltava. Coisas que há tempos perdemos e nunca soubemos do paradeiro. Acontece que nessa parada havia uma caixa de achados e perdidos e era nosso anfitrião, homem palhaço ou palhaço homem, quem cuidava dessa caixa. Não era fácil ter acesso à caixa, pois ele também era homem-bala e com tal velocidade, descobria tudo e escondia outros. Como tinha acesso aos nossos achados e perdidos, às vezes nos devolvia, outras coisas não víamos nunca mais.
Nessa minha passagem pela fenda do tempo e espaço, descobri que os palhaços são seres a priori. Eles chegam antes de tudo, sabem tudo e podem tudo. Eles têm livre acesso ao portal. Não precisam esperar 300 anos para atravessá-lo.
Também são ao contrário: não sabem nada e fazem de tudo do mesmo jeito, pois já passaram muitas vezes pelo portal, nem sabem mais de que lado vivem. A fenda existe, mas os palhaços vivem dos dois lados, como uma cama pequena que não cabe uma pessoa grande, os palhaços vivem com metade do corpo de um lado do portal e a outra metade do outro.
O coração irradia-se pelo mundo inteiro abrindo fendas no espaço e no tempo, buracos, portais por onde pessoas comuns devem passar para tornar-se um pouquinho mais gente, ou palhaço.
Por um triz
Era preciso não olhar para trás. Sair correndo, não pensar e atravessar. Na correria para conhecer o outro lado do portal, uns esquecem os nomes e a razão e por isso ganham apelidos. O coração, desparado, chega na frente e é com ele que se conta durante as 16 horas que passamos vivendo uma vida que não é nossa, que não se tem todo dia e que a cada minuto esperava-se que durasse uma hora, para nunca esquecermos que a vida do outro lado do portal era diferente: os segundos duravam minutos e os minutos, horas.
Lá, quanto mais o tempo passava, mais de nós ia ficando e, ao mesmo tempo, mais de nós voltava. Coisas que há tempos perdemos e nunca soubemos do paradeiro. Acontece que nessa parada havia uma caixa de achados e perdidos e era nosso anfitrião, homem palhaço ou palhaço homem, quem cuidava dessa caixa. Não era fácil ter acesso à caixa, pois ele também era homem-bala e com tal velocidade, descobria tudo e escondia outros. Como tinha acesso aos nossos achados e perdidos, às vezes nos devolvia, outras coisas não víamos nunca mais.
Nessa minha passagem pela fenda do tempo e espaço, descobri que os palhaços são seres a priori. Eles chegam antes de tudo, sabem tudo e podem tudo. Eles têm livre acesso ao portal. Não precisam esperar 300 anos para atravessá-lo.
Também são ao contrário: não sabem nada e fazem de tudo do mesmo jeito, pois já passaram muitas vezes pelo portal, nem sabem mais de que lado vivem. A fenda existe, mas os palhaços vivem dos dois lados, como uma cama pequena que não cabe uma pessoa grande, os palhaços vivem com metade do corpo de um lado do portal e a outra metade do outro.
O coração irradia-se pelo mundo inteiro abrindo fendas no espaço e no tempo, buracos, portais por onde pessoas comuns devem passar para tornar-se um pouquinho mais gente, ou palhaço.
Por um triz

