Passarinha de Realejo

Texto de artista não por pretensão, mas por precisão. Precisão de ser o que é, de ser artista e fazer isso 24 horas por dia, pois não conseguimos olhar para uma lua muito cheia e não imaginar que é uma pintura. Texto de artista porque a gente se expressa pelos poros e escreve para que alguém leia mesmo sem querer mostrar. Até que um dia mostra, para a vida passar do ordinário para o extraordinário. Foi o que eu fiz!

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Alguém que fala demais, escreve demais e chora demais.

domingo, maio 21, 2006

CADARÇOS

Com a visão de quem olha da janela do 11º andar, vejo ele chegando na portaria. Ele chega como quem chega lindo, como alguém que é um menino grande. Eu olho como quem olha do alto, mas vê tudo, até seus olhos brilhantes. Corro para o meu elevador ímpar e desço. Nos encontramos no hall. Ele está com uma de suas camisetas coloridas, calça jeans e seu tênis verde musgo da adiddas, mas eu nem precisava ter olhado pela janela para saber, pois ele sempre está vestido assim, e com os cadarços desamarrados.
Nos cumprimentamos, apenas cordialmente, entramos em seu elevador par e subimos para o seu 16º. O elevador não é o meu, o andar não é o meu e mesmo se o prédio não fosse o meu eu iria todos os dias para lá. Só para subir os 16 andares com ele.
Ela: Seu cadarço está desamarrado.
Ele: Obrigado.
Este diálogo nunca aconteceu, e eu queria tanto ver seu sorriso.
O trajeto até o 16º era como sonífero, era quando percebia seu cheiro, sentia seu clima, imaginava por onde andou, o que fez quando eram 7:00, 8:15, 10:30, 11:50,12:40, 14:50, e se era sempre a mesma coisa.
Principalmente me perguntava porque seu cadarço estava sempre desamarrado.
O 16º chega, ele sai, eu vou junto, não me olha, eu fico, desço, vou para o ímpar, subo e espero anoitecer.
Ele: Ela nunca reparou em meus cadarços desamarrados. Se ela usasse tênis eu me ofereceria para amarrar seus cadarços.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Obrigada pelo Comentario no blog
Osciclomáticos.blogspot.com

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