ÀS VIAGENS QUE FAÇO
Viajo para minha própria casa, vou para lugares que ninguém mais quer ir, cidade pequena com praça, igreja e teatro (às vezes pessoas se casam nele). Sou feliz mesmo sem natal em família. Fujo do Rio e todos vão para lá. O descanso parece eterno, mas é passageiro. Lá, para onde viajo, se fala, se bebe, se apaixona e decepciona na mesma semana. Brinca, ri, grita, dança, bebe de novo, sai, volta, vê o dia nascer com amigos que são irmãos e reencontra gente. Nesses dias que passei tirando férias na minha casa eu reencontrei um antigo amor, conversas de horas que não se tem todo dia, amigos mágicos que conhecemos e imagina-se que serão eternos até que a estrada separe novamente. Não dá vontade de ir e ficar é impossível. Talvez tudo não fosse tão lindo se eu não pudesse ter saudade, voltar e ir embora de novo. Ainda bem que existe a sensação de que já se fez tudo que tinha pra fazer e se fizer mais a cidade explode, então é hora de voltar. Depois de dias maravilhosos o Rio ficou grande, grande já é, ficou grande pra mim. Não conheço ninguém, morro se atravessar a rua sem olhar, se marcar numa praça não encontro, se tem um engarrafamento ninguém chega, mas é onde minha vida acontece. Só aqui consigo chorar dentro de um ônibus no dia 30/12.
Qual é a magia que existe numa rua vazia em plena sexta feira? Nenhuma outra se não fosse no Rio de Janeiro voltando de Três Rios na ante véspera do Ano novo. O caminho tantas vezes feito da rodoviária até a Glória foi diferente:
As transversais de paralelepipedos estavam vazias e cheias de papel picado. No fim do ano picam folhas velhas para começar o ano com folhas novas que serão preenchidas durante o ano para serem picadas novamente e para as pessoas acharem lindo ruas estreitas vazias com paralelepipedos pretos cheios de papéis brancos.
Quando me dou conta vejo que o engarrafamento é causado pelo Cordão do Bola Preta, tradicional bloco de carnaval que tocava no meio da Rio Branco, todos de branco anunciando o fim do ano em ritmo de marchinha.
E essa mistura do preto com o branco segue até o ano realmente começar com a cinza da quarta feira. 1º de março de 2006, exatamente dois meses depois, (se fevereiro não tivesse 28 dias).
"E como todo carnaval tem seu fim, deixa eu brincar de ser feliz".
Qual é a magia que existe numa rua vazia em plena sexta feira? Nenhuma outra se não fosse no Rio de Janeiro voltando de Três Rios na ante véspera do Ano novo. O caminho tantas vezes feito da rodoviária até a Glória foi diferente:
As transversais de paralelepipedos estavam vazias e cheias de papel picado. No fim do ano picam folhas velhas para começar o ano com folhas novas que serão preenchidas durante o ano para serem picadas novamente e para as pessoas acharem lindo ruas estreitas vazias com paralelepipedos pretos cheios de papéis brancos.
Quando me dou conta vejo que o engarrafamento é causado pelo Cordão do Bola Preta, tradicional bloco de carnaval que tocava no meio da Rio Branco, todos de branco anunciando o fim do ano em ritmo de marchinha.
E essa mistura do preto com o branco segue até o ano realmente começar com a cinza da quarta feira. 1º de março de 2006, exatamente dois meses depois, (se fevereiro não tivesse 28 dias).
"E como todo carnaval tem seu fim, deixa eu brincar de ser feliz".

