Passarinha de Realejo

Texto de artista não por pretensão, mas por precisão. Precisão de ser o que é, de ser artista e fazer isso 24 horas por dia, pois não conseguimos olhar para uma lua muito cheia e não imaginar que é uma pintura. Texto de artista porque a gente se expressa pelos poros e escreve para que alguém leia mesmo sem querer mostrar. Até que um dia mostra, para a vida passar do ordinário para o extraordinário. Foi o que eu fiz!

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Alguém que fala demais, escreve demais e chora demais.

domingo, outubro 23, 2005

Mel e favo

Quando muda muito e o tempo passa, passa, elas agora não se falam mais, não se olham e nem gostam, elas eram quatro e agora não se sabe onde estão. Sabe-se sim, mas não aquelas de outros anos, aquelas não existem mais, não percebem que crescer podia ser com menos dor, menos choro, podia ser mais fácil, com mais amor e menos grito. Agora há os sussurros, choramingos, goteiras de lágrimas e sem benção dos pais que já se foram, não foram pra morte, mas estão fora e não ouvem. Também não são mais os mesmos: a voz engrossou, mudou de tom e não se fala mais de subir em árvores, de andar à cavalo, de tirar mel e comer o favo. Se fala em pegar ônibus, em ficar quieto, em não explodir, em chegar de madrugada, em provocar, em ver TV, em não falar em dores pelo corpo, em ir e não voltar.
Quando muda muito e o tempo passa, passa e passa, não se pode fazer mais nada. Elas cresceram e eles mudaram.

1 Comments:

Blogger Henrique said...

Eh a vida eh uma mudança constante, no fim da vida a gente ja deixou de ser nós msm varias vezes...

12:55 AM  

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