UM FILME FALADO
Cheguei das férias querendo férias de mim, de mim imagem que não se agüenta mais, de mim pensamento que torra neurônios, de mim romantismo que ao invés de sangue tem mel, de mim loucura que nunca foi sã, de mim que em sã consciência não escreveria.
Cheguei lá da terra do judas, daquele que nunca achou as botas, da terra dos três rios. Três rios que não inundam a cidade. Esta que tem três já deveria estar encharcada. Os três ficam lá, encontrados, num ponto, se esbarrando, entrando um no outro. Eu já fui lá ver o encontro dos três rios, não tem nada de mais. Eles se misturam, viram água e só. É o ponto turístico da cidade, e um dia quando eles resolverem inundar, a cidade vai entrar para a história e será conhecida como a cidade que desapareceu embaixo de três rios. Espero que isso demore muito para acontecer.
Foi nessa cidade, futuramente histórica, onde passei parte de minhas férias. A outra parte passei também em um rio, só que era de janeiro e era um só. Lá na cidade dos três rios eu acordava às nove, comia bolinho de chuva, banana frita com canela, angu com couve, assistia novela, jogava baralho com minha mãe na calçada, encontrava antigos amigos, conhecia seus filhos, entrava nas lojas onde tem sempre um vendedor conhecido e conversava com minha vó, que não conhece o mar, só os três rios. Lá, na terra do nunca, se pode marcar de encontrar com as amigas, eternas flores, apenas dizendo que é na praça às 16h e todas já sabem. Lá a conta é menor que nesse rio aqui, não tem fast food, tem um cinema com um filme em cartaz, um teatro em reforma que está localizado na praça e ao lado da igreja. Um lugar onde o tempo é outro, onde não leio e-mail, não sei dos filmes e peças em cartaz, atravesso a rua sem olhar e o sinais de trânsito não adiantam muito. Lá não abro minha agenda para ficar neuroticamente marcando os compromissos com riscos ou ok.
Agora estou de volta. Já dei um ok na agenda e quero férias de mim, porque preciso viver tudo e logo, "antes que o vento do norte sopre mais forte."
Queria ter um pé de laranjeira.
Cheguei lá da terra do judas, daquele que nunca achou as botas, da terra dos três rios. Três rios que não inundam a cidade. Esta que tem três já deveria estar encharcada. Os três ficam lá, encontrados, num ponto, se esbarrando, entrando um no outro. Eu já fui lá ver o encontro dos três rios, não tem nada de mais. Eles se misturam, viram água e só. É o ponto turístico da cidade, e um dia quando eles resolverem inundar, a cidade vai entrar para a história e será conhecida como a cidade que desapareceu embaixo de três rios. Espero que isso demore muito para acontecer.
Foi nessa cidade, futuramente histórica, onde passei parte de minhas férias. A outra parte passei também em um rio, só que era de janeiro e era um só. Lá na cidade dos três rios eu acordava às nove, comia bolinho de chuva, banana frita com canela, angu com couve, assistia novela, jogava baralho com minha mãe na calçada, encontrava antigos amigos, conhecia seus filhos, entrava nas lojas onde tem sempre um vendedor conhecido e conversava com minha vó, que não conhece o mar, só os três rios. Lá, na terra do nunca, se pode marcar de encontrar com as amigas, eternas flores, apenas dizendo que é na praça às 16h e todas já sabem. Lá a conta é menor que nesse rio aqui, não tem fast food, tem um cinema com um filme em cartaz, um teatro em reforma que está localizado na praça e ao lado da igreja. Um lugar onde o tempo é outro, onde não leio e-mail, não sei dos filmes e peças em cartaz, atravesso a rua sem olhar e o sinais de trânsito não adiantam muito. Lá não abro minha agenda para ficar neuroticamente marcando os compromissos com riscos ou ok.
Agora estou de volta. Já dei um ok na agenda e quero férias de mim, porque preciso viver tudo e logo, "antes que o vento do norte sopre mais forte."
Queria ter um pé de laranjeira.


2 Comments:
que legal, lô. legal mesmo. Viva três Rios! bjos
Lô
Tem um pouco de mim neste texto...
Me identifiquei com ele em várias passagens, achei muito legal.
Continue esta artista, escritora, amiga, maluca, sempre...
Te adoro
Bjs, sua sempre amiga Demi
Postar um comentário
<< Home