Passarinha de Realejo

Texto de artista não por pretensão, mas por precisão. Precisão de ser o que é, de ser artista e fazer isso 24 horas por dia, pois não conseguimos olhar para uma lua muito cheia e não imaginar que é uma pintura. Texto de artista porque a gente se expressa pelos poros e escreve para que alguém leia mesmo sem querer mostrar. Até que um dia mostra, para a vida passar do ordinário para o extraordinário. Foi o que eu fiz!

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Local: Rio de Janeiro, R.J., Brazil

Alguém que fala demais, escreve demais e chora demais.

domingo, agosto 28, 2005

A INCRÍVEL HISTÓRIA DA BIBLIOTECÁRIA QUE ASSUSTOU SEU LIVRO E COMEU SUAS PÁGINAS

Ela era linda, meiga, branca e inteligente. De tão chata e sem graça que era sua vida, olhar para ela dava enjôo. Mas isso não importa agora. Importa falar que Fanny, era esse seu nome, não tinha muitas palavras. O nome dela era chato, curto e com poucas sílabas, assim como a dona.
Fanny não queria se gastar. Rir lhe causava rugas. Dormir lhe amassava a cara. Beijar lhe entortava a boca e transar lhe esgotava, enfim, a única coisa que fazia era ler. Ler não lhe causava nada, pelo menos nada que lhe encomodasse , lia e nada acontecia, as emoções ela guardava, por isso era bibliotecária. Era só o que ela era, ser bibliotecária. Fanny deleitava-se com cada palavra escrita, lida e apreendida pelo seu cérebro, que devia ser igual uma sopa de letras, de tanto que a infeliz lia.
Em mais um de seus belos dias Fanny foi da casa para a biblioteca na qual trabalhava. Era perto de sua casa e ia à pé. Ao menos fazia um exercício para desentravar aquele corpinho magro e cheio de sardas. Chegando na biblioteca, foi até à estante onde se localizava o livro que estava terminando de ler. Fanny estava no último capítulo do último livro que faltava para ter terminado de ler a biblioteca inteira.
Um infortúnio estava prestes a acontecer na vida pacata de Fanny: ela não conseguiria terminar de ler o último capítulo do último livro, já que a todo momento alguém, alguens, alguns, um porteiro, um faxineiro, um bombeiro, um cozinheiro, um cabeleireiro a iriam interromper. Foi então, que a doce donzela, não suportando as constantes quebras em sua constante e calma leitura, deu um grandíssimo berro ecoante e estarrecedor que fez com que as páginas de seu último livro se desfizessem em pó compacto.
Fanny, não mais tão doce, saiu correndo pela biblioteca arrancando ferozmente os livros das mãos dos insólitos e inocentes leitores. Apavorados saíram correndo da biblioteca, e Fanny, realizada, calma, serena, tão doce como o doce de mamão de sua avó, comeu as páginas dos livros para Ter certeza que as letras nunca mais saíssem de sua mente e ninguém a impedisse de ler suas histórias.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Lô, a Fanny é irmã da Macabéia?
Adorei, adoro vc! Continue artista, porque a arte liberta!!!
Bjos

12:53 PM  

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