DOMINGO NO PARQUE
Na verdade não era um parque, era um sem nome de coisas que não fazem sentido algum, coisas que não têm as mesmas referências e portanto não se cruzam. Como uma avó que veio de longe e que nunca foi vovó, só visita, uma mulher que possui as atenções de um pai e que não é minha mãe, um e-mail de um homem que morro de saudades, fotos sobre minha vida, mas que tornam-se meu trabalho, peça de teatro, noite fria e é claro, lágrimas. O que estas coisas têm em comum? Nada, (ou tudo que não vejo).
Na volta para casa viria a descobrir ser o tempo a unir todas essas coisas no meu parque. Só que antes da desesperadora descoberta, assisti um espetáculo que foi sonífero inicialmente, intermediariamente emocionante e, finalmente, lacrimosamente revelador. Revelador pois contribuiu com o processo de descoberta do tempo, (primo-irmão do vento).
Na volta para casa viria a descobrir ser o tempo a unir todas essas coisas no meu parque, lendo o texto do Aderbal, contido no programa de mão de seu espetáculo. Uma das coisas que ele diz é que o teatro tem cheiro, chorei. O tempo, senhor das coisas, passa muito e passa rápido, me dá medo, me dá nó, me dá choro. É ele que não me deixa, é ele que me segue e foi ele quem juntou aquelas coisas que escrevi lá no primeiro parágrafo, ( porque os primeiros sempre serão os últimos). Aquelas coisas sem referências próprias, o tempo juntou em um parque só.
Se eu não vejo mais o homem do e-mail, é por culpa do tempo, que não parou quando devia. Se minha avó nunca foi vó, é por ocasião do tempo, que não nos apresentou antes. Se essa mulher tem o meu pai, é porque o tempo agora é outro. Se chove todas as noites no meu quarto é porque o tempo tá sempre nublado.
Mais uma vez o tempo. Tempo que ri de mim, que me olha, me atravessa, me esmaga e se contorce de dor. Tempo que passa, muda de cor, perde brilho, ganha temperatura, mas não volta ao que era. Tempo que seca minhas lágrimas para as produzir de novo.
Chove tempo, chove em mim!
Na volta para casa viria a descobrir ser o tempo a unir todas essas coisas no meu parque. Só que antes da desesperadora descoberta, assisti um espetáculo que foi sonífero inicialmente, intermediariamente emocionante e, finalmente, lacrimosamente revelador. Revelador pois contribuiu com o processo de descoberta do tempo, (primo-irmão do vento).
Na volta para casa viria a descobrir ser o tempo a unir todas essas coisas no meu parque, lendo o texto do Aderbal, contido no programa de mão de seu espetáculo. Uma das coisas que ele diz é que o teatro tem cheiro, chorei. O tempo, senhor das coisas, passa muito e passa rápido, me dá medo, me dá nó, me dá choro. É ele que não me deixa, é ele que me segue e foi ele quem juntou aquelas coisas que escrevi lá no primeiro parágrafo, ( porque os primeiros sempre serão os últimos). Aquelas coisas sem referências próprias, o tempo juntou em um parque só.
Se eu não vejo mais o homem do e-mail, é por culpa do tempo, que não parou quando devia. Se minha avó nunca foi vó, é por ocasião do tempo, que não nos apresentou antes. Se essa mulher tem o meu pai, é porque o tempo agora é outro. Se chove todas as noites no meu quarto é porque o tempo tá sempre nublado.
Mais uma vez o tempo. Tempo que ri de mim, que me olha, me atravessa, me esmaga e se contorce de dor. Tempo que passa, muda de cor, perde brilho, ganha temperatura, mas não volta ao que era. Tempo que seca minhas lágrimas para as produzir de novo.
Chove tempo, chove em mim!


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